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Escravos do Destino
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Era um dia ameno. As flores ondulavam-se no ar,
ao receberem algumas rajadas de um vento frio que passava como bem entendia. Só
as orquídeas não se balançavam, com o ímpeto das demais. Permaneciam quietas,
como que disfarçando o tombo que levavam. Os arvoredos maiores, mais adultos,
limitavam-se a sacudir as fraldas que possuíam. Tinham uma cor glauca. Não
aparentavam um aspecto pálido, nem tampouco espelhavam uma aparência mórbida. O
clima os conservava bem nutridos, dosando-lhes dos elementos de que
necessitavam. Algumas plantas menores, mormente as que possuíam cores roxas,
dificilmente se preocupavam com a variedade do ar. De quando em quando,
despejava éolos, sem que sequer anunciar com antecedência. As rosas, embaladas por
uma cor esbelta, ajudavam sobremaneira a complementação da formação graciosa de
que era possuído o jardim. Os cravos que nos lembram a amara situação de
Cristo, despontavam como o sol, a anunciar os bons frutos da natureza. O
jasmim, ao contato com o vento, serpenteava em ziguezagues soltos, dançando ao
ritmo com que satirizava a natureza. Ali os lírios não reinavam. Parecia até
que houvera esquecido os homens de pô-los entre os irmãos da vida, para
contemplar o quadro. Mesmo assim era uma beleza estonteante. Aos poucos tudo se
acalmara. O vento, outrora forte e ríspido, em desfechos compassados,
acalmava-se e parecia repousar nas catacumbas exteriores do universo. Não
obedecia a mesma cadência anterior e se ulteriorizava com uma sofreguidão
horripilante. Mudara todo o aspecto. As rosas e suas companheiras, agora
estavam como que congeladas. Só de minuto a minuto pousava no seio de uma flor,
um colibri assanhado que vinha a procura de algo dócil. Encontrava. Quando
saía, nem sequer agradecia e imaginando ser dono do mundo, partia, sem ao
menos, embalar aquelas belezas naturais que se espraiavam aos quatro cantos,
variegando a forma da vida. Alguns pedestres se aproximavam, calmos, serenos,
e, postos junto aos bancos, experimentavam observar com mais detalhes, as
fórmulas de que eram feitos tais produtos.
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